Redação 105 Tocantins
Respiradores superfaturados nunca foram usados e estavam em depósito de universidade, diz MPE
Nesta terça-feira (5) foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em quatro cidades do Tocantins. Equipamentos foram comprados para uso na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Gurupi.
05/03/2024 14h25
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: g1 Tocantins

A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Tocantins (MPTO) apontou que respiradores mecânicos comprados pela Prefeitura de Gurupi durante a pandemia de Covid-19 estão até hoje guardados no depósito da Universidade de Gurupi (Unirg), sem nunca serem usados.

Na manhã desta terça-feira (5) foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em residências, órgãos públicos e empresas em Gurupi, Porto Nacional, Palmas e Nerópolis (GO) A operação foi autorizada pela 2ª Vara Criminal de Gurupi.

Os fatos investigados aconteceram durante a gestão do ex-prefeito Laurez Moreira (PDT), atual vice-governador do Tocantins. Ele não é alvo da operação. A TV Anhanguera pediu posicionamento dele, mas ainda não houve resposta.

 

A Prefeitura de Gurupi afirmou que está colaborando com as investigações. Já a universidade informou que os equipamentos estavam guardados na Unidade de Saúde e foram transferidos durante uma reforma no prédio da UPA. (Veja as respostas abaixo)

A operação, chamada de Ruach, é realizada pelo Gaeco, com apoio da Polícia Civil. O MPE informou que os respiradores foram comprados em agosto de 2020, com dispensa de licitação devido à urgência por conta da pandemia. Buscas foram feitas na HM Cirúrgica LTDA. A advogada, Nayara Sampaio, disse à TV Anhanguera que a empresa está colaborando com a operação policial.

Apesar disso, os respiradores nunca chegaram a ser instalados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que passou a ser responsabilidade da Unirg, em 2022. Após recebidos pelo município, os equipamentos teriam ficado em completo desuso, aguardando a instalação de uma rede de gás necessária ao seu funcionamento.

Depois de meses, como a instalação da rede de gás não aconteceu, o material foi cedido ao Hospital Regional de Gurupi. Lá, também permaneceu sem uso, em depósito.

A investigação

 

São investigados ex-gestores públicos, servidores públicos e empresários. Segundo o MPE, eles teriam agido de forma articulada, promovendo o desvio de recursos públicos municipais por meio de contratação superfaturada e sem licitação.

Um dos mandados foi cumprido na Secretaria Municipal de Saúde de Gurupi. Os investigadores também foram em endereços dos investigados e empresas.

 

Veja as notas da Prefeitura de Gurupi, Unirg e HM Cirúrgica

 

Nota da Prefeitura de Gurupi

A Prefeitura de Gurupi informa que a decisão judicial apresentada pelos policiais na Secretaria de Saúde (Operação Ruach), é relacionada a aquisição de respiradores para atendimento a pacientes na pandemia de COVID-19, realizada no ano de 2020, portanto na gestão anterior.

 

A Prefeitura de Gurupi esclarece também que colabora com as investigações e prestará todas as informações que forem solicitadas.

Nota da HM Cirúrgica LTDA

Os fatos serão em tempo oportuno devidamente esclarecidos, e que a empresa HM CIRÚRGICA LTDA está colaborando com a operação policial.

Nota da Unirg

Em relação a operação da Gaeco e Polícia Civil cumprir mandados que apuram a aquisição de respiradores em Gurupi em 2020, a Fundação UnirG, esclarece que:

 

  • A Polícia Civil foi na Unidade de Pronto Atendimento – UPA/24h, em virtude de um processo de licitação de 2020. Quando a UnirG assumiu a UPA, não havia nenhum processo licitatório relacionado a aquisição dos respiradores.
  • Os equipamentos estavam guardados na Unidade de Saúde e foram retirados para um depósito da Fundação UnirG, que oferece mais segurança, enquanto realizamos uma reforma no prédio da UPA, com intuito de melhorar o atendimento e gerar mais conforto para a população.
  • A Polícia Civil esteve na UnirG apenas para conferir a existência desses equipamentos que foram apresentados aos policiais.

 

A Fundação UnirG se coloca à disposição para quaisquer esclarecimentos e informa que continuará sempre contribuindo para o sucesso das investigações.