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Redação 105 Tocantins

Monitor da Violência: Tocantins tem segunda maior queda no número de mortes violentas

Casos de latrocínio diminuíram em 30%, mas o quantitativo de ocorrências de lesão corporal seguida de morte dobrou em 2023. No país houve uma queda de 4% das mortes violentas.

12/03/2024 08h14
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: g1 Tocantins
Monitor da Violência: Tocantins tem segunda maior queda no número de mortes violentas

O Tocantins teve uma queda de 19,8% no número de mortes violentas registradas em 2023, de acordo com levantamento do Monitor da Violência. O estado, que em 2022 teve 440 casos violentos, apresentou uma diminuição no ano passado, contabilizando 353 ocorrências.

Os dados incluem os crimes de homicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte. O Monitor da Violência é produzido pelo g1 e reúne informações dos 26 estados e Distrito Federal. Em todo o país a redução das mortes violentas foi de 4%. Sergipe teve a maior queda entre os estados (22,6%), seguido por Tocantins e Rondônia (14,5%).

Mesmo com a onda de assassinatos em Palmas nos primeiros cinco meses de 2023, o estado finalizou o ano com uma queda nos números de homicídio. Em todo o ano foram 333 casos, contra mais de 400 ocorrências em 2022.

Os casos de latrocínio diminuíram em 30%, segundo o índice. Apesar disso, o quantitativo de lesão corporal seguida de morte dobrou em 2023. Veja o gráfico abaixo:

Janeiro e maio foram os mais violentos de 2023, sendo que em cada mês tiveram 45 casos de morte. Somente nos primeiros 10 dias do primeiro mês do ano, 11 pessoas foram assassinadas. Já agosto e novembro foram os meses com menor quantidade de ocorrências, sendo 18 casos em cada mês.

Assassinatos no Tocantins

Uma das vítimas da violência foi Ana Zilda Santos Almeida, de 49 anos. A morte dela chocou os moradores de Araguaína, no norte do Tocantins. O crime aconteceu no dia 5 de outubro de 2023, quando um homem bateu a cabeça da vítima na quina de um poste diversas vezes.

Os réus do assassinado foram interrogados em fevereiro deste neste ano e ainda devem passar por audiência para alegações finais. Ainda não há uma data prevista para a próxima audiência. A suspeita da polícia é de que o crime teria sido motivado por ciúmes.

Em Palmas, no mês de setembro, o vendedor 

Vinicius Lucas Ferreira, de 28 anos, foi morto a tiros na praia da Graciosa momentos antes de ir ao casamento da irmã. Uma testemunha informou à polícia que estavam de saída de um estabelecimento, quando um homem chegou por trás e deu pelo menos dois tiros no jovem. Em 2022, Vinicius foi agredido por guardas metropolitanos em um posto de combustível em Palmas.

 

Em 2023, no dia 6 de outubro, o adolescente Ruan Gomes da Silva, de 17 anos, morreu em um tiroteio durante o show em comemoração ao aniversário do Tocantins. O tiroteio aconteceu depois que um policial de folga e à paisana se envolveu em uma discussão com dois homens. Durante a briga, um dos suspeitos tomou a arma do militar e começou a atirar. Na época, cerca de 12 pessoas ficaram feridas durante a confusão.

g1 questionou a Secretaria de Segurança Pública (SPP-TO) sobre o andamento das investigações dos casos, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

Perfil dos mortos

 

Entre o dia 1º de janeiro a 15 de maio de 2023, a capital do Tocantins teve 65 assassinatos. A pedido do g1, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) fez um levantamento de informações sobre o perfil das vítimas.

Segundo os dados, a maioria era de homens pretos ou pardos que vivem na periferia e têm entre 20 e 30 anos. Nesse mesmo período os seis bairros que mais tiveram casos de homicídio são da região sul de Palmas.

Na época, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) atribuiu mais de 60% das mortes à guerra de facções.

Para a polícia o maior responsável pela onda de violência no estado era Carlos Augusto da Silva Fraga, apontado como mandante de 50 mortes em Palmas. Conhecido como Dad Charada, ele foi preso em julho de 2023 e semanas depois foi encontrado morto em uma cela no presídio Barra da Grota, em Araguaína.

 

Levantamento periódico é encerrado

 

O levantamento periódico dos assassinatos é um dos projetos do Monitor da Violência, criado em 2017 pelo g1 em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP).

Naquela época, o governo federal não tinha uma ferramenta que permitisse à sociedade – jornalistas, pesquisadores, gestores públicos e demais cidadãos – acompanhar, de forma atualizada, os dados sobre homicídios do país. O único levantamento nacional era o do FSBP, divulgado no segundo semestre de cada ano.

A divulgação dos dados pelos estados também não era padronizada, e não havia uma frequência definida.

A partir da parceria, as centenas de jornalistas do g1 espalhados pelo país passaram a levantar junto aos estados dados sobre as mortes violentas ocorridas mês a mês, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e das assessorias de imprensa dos governos.

Esse trabalho contribuiu para aumentar a transparência e a precisão das informações sobre segurança pública divulgadas no Brasil e, em 2024, o governo federal passou a publicar os dados de crimes violentos em um painel interativo com informações de todos os estados.

Os dados do governo federal, embora usem uma metodologia diferente da do Monitor (por incluir, por exemplo, mortes suspeitas e encontro de corpos e ossadas, que podem não ser homicídios), apontam para um cenário semelhante, de redução de 4% nas mortes violentas em 2023.

Esse aumento na transparência levou o g1 e os parceiros a decidirem encerrar o levantamento periódico das mortes violentas.

 

"O Monitor da Violência teve e tem um papel estratégico para a discussão de vários temas sensíveis da agenda da segurança pública, a exemplo dos dados sobre redução e esclarecimento de homicídios, letalidade e vitimização policial, sistema prisional, violência contra mulheres, entre outros. Afinal, a experiência internacional revela que é a partir da ação intensa de disseminação de informações fidedignas e qualificadas que políticas públicas são provocadas e gestores se mobilizam", afirmam Renato Sérgio de Lima e Samira Bueno, diretores do FBSP.

 

A decisão não significa o fim do Monitor da Violência – apenas do levantamento periódico de assassinatos, diante de um cenário em que dados nacionais e atualizados sobre esses crimes estejam disponíveis para a população.

A parceria seguirá em outras iniciativas, como tem acontecido desde 2017. Nesse período, entre outras coisas, o Monitor da Violência realizou reportagens sobre

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