Cidades Tocantins
Mãe e filha de 3 anos tentam marcar consulta e descobrem que estão 'mortas' no sistema do SUS: 'Me sinto indignada'
Dona de casa Juliana Serra da Silva, de Palmas, tenta reverter cadastro errado no Sistema Único de Saúde há um ano e por causa do registro de óbito também não consegue outros atendimentos na rede pública.
12/06/2024 07h25
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: g1 Tocantins

Uma dona de casa de Palmas tomou o maior susto ao tentar marcar uma consulta médica para a filha. Juliana Serra da Silva descobriu que para o cadastro do Sistema Único de Saúde (SUS) ela e a pequena Ávilla Mykelly, de apenas três anos, estão mortas.

A descoberta da informação errada aconteceu há exatamente um ano. Desde então, Juliana está enfrentando diversas dificuldades para tentar reverter o cadastro errado no SUS.

"Cheguei para marcar uma consulta para minha filha e descobri que ela estava em óbito e resolvi marcar uma pra mim também. Chegando lá o funcionário disse que eu também estava em óbito e não conseguiria marcar a consulta", contou.

Diante de um problema que não era resolvido, ela chegou a avisar que chamaria a polícia na unidade. "Porque um caso desse não podia ficar [sem resolver]. Com minha filha doente e eu doente também", reclamou Juliana.

Mesmo depois de registrar um boletim de ocorrência na delegacia, elas continuam dadas como mortas. A situação que tem gerado transtornos. Ela precisa fazer exames de rotina, mas não consegue marcar e também não tem acesso a alguns resultados de outros que já fez por causa disso.

Conforme os documentos que ela conseguiu, quem declarou a morte de mãe e filha no sistema do SUS foi uma servidora chamada Valdelice da Silva Coelho. Entretanto, na unidade de saúde que Juliana fez o cadastro, não existe ninguém com esse nome.

"Deu alterações de câncer no meu útero, então é uma coisa importante, principalmente par nós, mulheres, e eu não consigo nenhum desses exames e nada que faça eles ligarem para mim, porque não tem como ligar para uma pessoa que está em óbito", afirmou.

TV Anhanguera apurou que há uma servidora com nome semelhante no estado do Paraná. A equipe de reportagem ligou para a unidade de saúde onde ela está lotada, no município de Altonia, mas ninguém atendeu.

"Me sinto indignada, me sinto praticamente envergonhada também, porque a gente tá correndo atrás de questão de saúde, de uma coisa que era para ser livre, direito e a gente não tá podendo podendo ter", lamentou a dona de casa.

O que dizem os órgãos de saúde

 

As secretarias de Saúde do município e do estado foram questionadas sobre a situação de Juliana e Ávilla. A SES orientou que as pacientes precisam ir até as unidades de referências para corrigir os equívocos.

Já a Semus afirmou que detectou uma divergência no CadSUS e que entrará em contato com o Ministério da Saúde para apurar a situação.

O Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde do Paraná também foram questionados, mas não responderam até a publicação desta reportagem.

Veja nota da SES na íntegra:

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-TO) informa que a realização e atualização da população no Sistema Único de Saúde (SUS) é realizada nas unidades básicas de saúde, sob responsabilidade dos municípios.

A Pasta orienta as pacientes a procurarem as unidades de referências para corrigir os equívocos.

Veja posicionamento da Semus na íntegra:

A Secretaria Municipal de Saúde (Semus) de Palmas informa que detectou uma divergência no CadSUS. A secretaria entrará em contato com o Ministério da Saúde, responsável pelo sistema, para verificação e correção.

Informa ainda que entrou em contato com a paciente e prestou todos os esclarecimentos necessários.