Duas novas opções de tratamento para a endometriose devem estar disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda em 2025. O dispositivo intrauterino com liberação de levonorgestrel (DIU-LNG) e o anticoncepcional desogestrel foram incluídos na lista de medicamentos autorizados e terão fornecimento gratuito após um prazo máximo de 180 dias a partir das portarias publicadas entre 29 e 30 de maio.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica provocada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, causando dor, inflamação e, em alguns casos, infertilidade. A condição afeta entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, segundo o Ministério da Saúde.
O DIU-LNG, indicado especialmente para mulheres com contraindicação ao uso de contraceptivos orais combinados, libera hormônio diretamente no útero, evitando o crescimento do tecido fora de lugar. Já o desogestrel atua inibindo a ovulação e pode ser utilizado antes mesmo de exames conclusivos, a partir da avaliação clínica.
Embora ambos sejam anticoncepcionais, no SUS a prescrição será restrita aos casos de endometriose. Os métodos oferecidos para contracepção continuam sendo o DIU de cobre, pílulas, injeções hormonais, diafragma, pílula do dia seguinte e preservativos.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a medida representa um avanço importante na modernização tecnológica do SUS. “A oferta desses dois tratamentos representa, acima de tudo, qualidade de vida para as pacientes e um avanço relevante na atualização tecnológica do SUS — fruto de um processo criterioso, conduzido com base nas melhores evidências científicas pela Conitec”, afirmou.
Atendimento em expansão
Nos últimos anos, o SUS tem ampliado os atendimentos relacionados à endometriose. Entre 2022 e 2024, o número de atendimentos especializados cresceu 70%, com 53.793 registros em 2024. As internações também aumentaram 32% no período, totalizando 34,3 mil.
Além dos novos medicamentos, o tratamento pelo SUS inclui abordagens clínicas com hormônios e analgésicos, além de procedimentos cirúrgicos como videolaparoscopia e, em casos mais severos, histerectomia.
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