Política Tocantins
Decks de madeira, varandas e luxo: veja imagens de pousada que teria sido construída com dinheiro de cestas básicas, segundo a PF
Rérison Antonio Castro Leite, superintendente do Sebrae e filho de Wanderlei Barbosa, é o proprietário do empreendimento. PF identificou que governador afastado e filhos destinaram mais de R$ 2,4 milhões para a construção e suspeita que dinheiro público foi usado.
05/09/2025 08h41
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: G1 Tocantins

Imagens feitas na pousada da família do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) mostram a estrutura luxuosa que está sendo construída em um dos principais pontos turísticos de Palmas, o distrito de Taquaruçu. A investigação da Polícia Federal, na segunda fase da Operação Fames-19, aponta que o local teria recebido dinheiro desviado de recursos públicos para a compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19.

O governador foi afastado do cargo nesta quarta-feira (3), após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A primeira-dama, Karine Sotero Campos, que ocupava o cargo de secretária extraordinária de Participações Sociais, também não poderá seguir na função pelo mesmo período.

O governador afirmou, em nota, que recebe a decisão com respeito às instituições, mas se trata de uma "medida precipitada". Afirmou que os fatos ocorreram na gestão anterior, quando tinha o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesas. A primeira-dama informou que vai "comprovar total ausência de participação nos fatos" (veja as notas abaixo).

Segundo a decisão do STJ, são investigados os crimes de frustração ao caráter competitivo de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de capitais e formação de organização criminosa. A polícia estima um prejuízo superior a R$ 73 milhões aos cofres públicos com desvios de recursos para compra de cestas básicas e frangos durante a pandemia.

Dinheiro investido em pousada de luxo

 

Conforme decisão do ministro Mauro Campbell, que autorizou os afastamentos e o cumprimento de 51 mandados de busca e apreensão, parte do dinheiro desviado para a compra de cestas básicas no período da pandemia de Covid -19, que deveriam ser para famílias em situação de vulnerabilidade, foi empregado na construção da pousada Pedra Canga.

Imagens que o g1 e TV Anhanguera tiveram acesso mostram a construção do empreendimento, localizado no distrito que fica a 30 km da capitalCom um aspecto mais rústico, o local possui grandes varandas, decks de madeira e ambiente totalmente integrado à área de vegetação da serra de Taquaruçu.

Segundo investigação da Polícia Federal, a pousada está no nome do filho do governador, Rérison Antonio Castro Leite, superintendente do Sebrae Tocantins.

Em nota, a defesa de Rérison afirmou que ele não foi alvo da operação e que não teve acesso ao processo. Destacou ainda que como o superintendente não é servidor do Estado, não tem nenhuma vinculação com os crimes investigados. O Sebrae Tocantins informou em nota que não tem nenhuma ligação com o fato (veja notas na íntegra abaixo).

g1 também questionou a defesa de Wanderlei Barbosa sobre as investigações relacionadas à pousada, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem.

A polícia apontou que o intuito do grupo era ocultar indícios de lavagem de dinheiro por parte do chefe do Poder Executivo Estadual. Também foi apurado que entre junho de 2022 e julho de 2023, Wanderlei, Rérison e do deputado estadual Léo Barbosa (Republicanos), que também é filho do governador afastado, destinaram mais de R$ 2,4 milhões às contas do empreendimento.

Léo afirmou em nota que colaborou com as diligências da Polícia Federal e que a a análise do material apreendido demonstrará a lisura de sua conduta fato (veja nota na íntegra abaixo).

A decisão do STJ mostrou ainda uma conversa entre o filho do governador e um chefe de gabinete do pai, no dia 21 de maio de 2024, que, supostamente, aponta para o uso ilícito do dinheiro público.

"Rérison orienta [chefe de gabinete] a deixar todos os apontamentos averbados na JUCETINS, referentes à Pousada Pedra Canga, em seu nome, ratificando o escopo atual e contemporâneo de dissimulação do capital ilicitamente auferido no governo do Estado, para ser empregado em sua edificação", diz trecho da decisão do ministro Mauro Campbell.

 

Conforme é apurado na Operação Fames-19, foram pagos mais de R$ 97 milhões em contratos para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de R$ 73 milhões.