Um advogado de 65 anos foi preso em flagrante suspeito de fazer ofensas transfóbicas contra uma atleta trans durante uma partida de voleibol, em Gurupi, no sul do Tocantins. Segundo o Ministério Público do Tocantins (MPTO), o suspeito negou as ofensas e insinuou que a situação foi criada para tumultuar a competição. Ele foi liberado pela Justiça para responder em liberdade, com medidas cautelares.
A partida aconteceu na Escola Municipal Luiza Borges, na noite de sábado (25). A atleta Heitora Beatriz Freire Santos, de 29 anos, jogava no time de Formoso do Araguaia. O suspeito, identificado como Giovani Fonseca de Miranda, assistia à partida na torcida do time adversário, onde a esposa dele estava jogando.
Segundo o relato da atleta à TV Anhanguera, os ataques começaram ainda no início da partida, mas ela só percebeu que as ofensas eram direcionadas a ela quando precisou trocar uma tornozeleira.
"Ele falou uma coisa que ele citou órgãos genitais, ele citou comparações, ele chegou a pôr como se tivesse uma pessoa que não fosse mulher jogando com mulheres. E tinham várias crianças do lado, escutando tudo", disse Heitora, que afirmou ter se sentido humilhada e desvalorizada.
A defesa de Giovani Fonseca de Miranda, feita pela advogada Giovana Martins de Miranda, informou que os fatos mencionados não ocorreram e serão comprovados ao longo do processo. Também afirmou que não pode fornecer mais declarações, pois o caso tramita em segredo de justiça. Ela confirmou que o cliente está em liberdade.
O g1 também pediu posicionamento sobre o caso para a Ordem dos Advogados do Tocantins, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
A jogadora destacou que é uma mulher trans apta a competir na categoria feminina e que realiza todos os exames mensais exigidos pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).
Segundo depoimentos das testemunhas, os ataques começaram ainda no início do jogo e se intensificaram quando a jogadora passou a atuar no ataque, com o agressor pulando na grade da arquibancada e gritando frases ofensivas sobre sua identidade de gênero.
Conforme o MPTO, o suspeito continuou com os ataques após o fim do jogo, no estacionamento da escola, onde manteve uma postura ofensiva e debochada. Diante da situação, um advogado que presenciou os insultos deu voz de prisão ao agressor e chamou a Polícia Militar. Na delegacia, o homem continuou se referindo à atleta com pronomes masculinos na presença dos policiais.
Para o MPTO, a conduta foi enquadrada como crime de racismo, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que equipara a transfobia ao racismo. A pena prevista é de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.
O MPTO considerou que houve flagrante e pediu a homologação da prisão, mas apontou que não havia necessidade de prisão preventiva e o advogado deveria ser liberado com medidas cautelares.
A decisão da juíza Keila Suely Silva da Silva concedeu liberdade provisória para o advogado, com medidas cautelares. "Porém, não se vislumbra a necessidade de manter a prisão do flagrado, por não se encontrarem presentes os requisitos autorizadores da preventiva". Foram estabelecidas as seguintes medidas cautelares: