Waldecir José de Lima Júnior, de 40 anos, que atirou e matou o vigia Dhemis Augusto Santos, de 35 anos, em um shopping de Palmas, tem registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). Segundo apurado pela TV Anhanguera, ele chegou a ser condenado em 2013 por ser flagrado com uma arma, sem autorização de porte, em uma churrascaria.
O assassinato aconteceu na noite de sábado (29) em um shopping na região central de Palmas. Uma câmera de segurança registrou a discussão e o momento em que Waldecir atirou na barriga do vigia, que chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
O suspeito teve a prisão preventiva decretada e está sendo procurado. A polícia também divulgou um cartaz de procurado. O advogado Zenil Drumond, que faz a defesa do motorista foragido, informou que Waldecir pretende se entregar, mas teme pela segurança. "Neste momento ele não se sente seguro para se apresentar, devido a grande repercussão, ao grande clamor social e que no momento adequado ele será apresentado", disse em entrevista à TV Anhanguera.
A Polícia Militar informou que Waldecir dirigia um carro de luxo e discutiu com o vigia após ser advertido por estacionar de forma irregular. A Polícia Civil complementou informando que o investigado teria atingido uma baliza sinalizadora do estacionamento e, por isso, foi abordado pela vítima.
O CAC, em regra, não autoriza o porte de arma em locais públicos. Quem tem o registro como colecionador, atirador e caçador pode receber uma autorização de transporte do armamento para locais de treino e competição. O porte de arma necessita de um procedimento específico junto à Polícia Federal.
A Polícia Federal informou que, para obter o Certificado de Registro, é necessário idade mínima de 25 anos (ou 18 para atiradores), além de comprovação de idoneidade, laudo psicológico, capacidade técnica e pagamento de taxa.
A PF pode suspender ou cancelar o certificado de pessoas com condenações criminais, após processo administrativo.
Waldecir foi condenado por porte ilegal de arma em 2013. Os documentos que a TV Anhanguera e o g1 tiveram acesso mostram que ele foi flagrado com uma arma de fogo em uma churrascaria em Palmas e chegou a dizer que era policial civil para tentar se esquivar de uma revista.
Ele foi absolvido pelo juiz da primeira instância, sob o argumento de que o porte ocorreu "de maneira fortuita, sem que ele efetivamente pretendesse portar a arma."
O Ministério Público Estadual (MPTO) recorreu da absolvição e Waldecir foi condenado pelo Tribunal de Justiça. “O crime de porte ilegal de arma de fogo é formal e de perigo abstrato, que se consuma com a simples prática da conduta”, diz o acordão assinado pelo desembargador Daniel Negry.
Waldecir acabou sendo condenado a dois anos de reclusão no regime aberto. A pena foi convertida em prestação de 729 horas de serviço à comunidade.
O vigia foi morto em um shopping localizado na quadra 203 Sul, em Palmas. Após a orientação sobre o estacionamento, Waldecir sacou a arma e atirou contra a vítima, atingindo a região abdominal.
Dhemis foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao HGP. A Polícia Civil foi informada da morte na madrugada deste domingo. O caso segue sob investigação da 1ª DHPP.
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