Polícia Tocantins
Servidor público é indiciado por assediar estagiária dentro de repartição do governo do Tocantins
Segundo a polícia, homem é fiscal agropecuário e trabalhava na Agência de Defesa Agropecuária de Araguaína. Investigação encontrou calcinhas e lubrificante sobre a mesa de trabalho do homem.
16/12/2025 08h47
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: G1 Tocantins

Um fiscal agropecuário de 44 anos foi indiciado por assédio sexual contra uma estagiária de 27 anos, em Araguaína, na região norte do Tocantins. De acordo com a investigação da Polícia Civil, também foram encontradas lubrificante e calcinhas na mesa de trabalho do suspeito, o que reforçou os indícios do crime.

O nome do suspeito não foi divulgado e o g1 não conseguiu contato com a defesa dele.

Segundo a polícia, os fatos aconteceram em outubro de 2024 na unidade da Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec), local onde ele exerce a função de fiscal. O homem foi indiciado pela prática dos crimes de assédio sexual, importunação sexual e perseguição (stalking).

A Adapec informou que adotou as providências administrativas cabíveis e aguarda a conclusão do procedimento correicional para a adoção das medidas disciplinares cabíveis. Também afirmou que não compactua com qualquer forma de assédio (veja nota completa abaixdo).

De acordo com o inquérito policial, o homem usava a posição no trabalho para constranger a estagiária com comentários repetitivos de teor sexual e ofensivo. Entre as falas do homem, ele dizia que "mulher tem que ser submissa" e contava que "trazia mulheres para o sofá do órgão", onde supostamente mantinha relações sexuais.

Conforme apurado, o homem também teria tocado o cabelo da estagiária sem autorização e feito um comentário de duplo sentido, afirmando que “não sabia qual cabelo tinha pegado, se era o de cima ou o de baixo”, situação que causou constrangimento e desconforto à vítima.

Após buscar ajuda e contar os fatos aos superiores, a estagiária passou a ser intimidada pelo servidor, que adotou uma postura agressiva no ambiente de trabalho. A situação se agravou quando a vítima percebeu que estava sendo seguida por ele após o expediente, o que a fez mudar seu trajeto até o trabalho.

A investigação ouviu testemunhas e reuniu provas que levaram ao indiciamento do servidor por três crimes. Somadas, as penas podem chegar a 10 anos de prisão.

O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público do Tocantins, que vai analisar e aplicar as medidas cabíveis na esfera penal. A Corregedoria-Geral do Estado também foi comunicada para apuração administrativa, podendo resultar em sanções disciplinares, inclusive demissão.

Íntegra da nota da Adapec

 

A Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec) informa que, assim que teve ciência dos fatos, adotou imediatamente as providências administrativas cabíveis, prestando acolhimento e orientação à vítima e encaminhando o caso à Corregedoria-Geral do Estado, órgão competente para a apuração administrativa.

Dessa forma, a Adapec aguarda a conclusão do procedimento correicional para a adoção das medidas disciplinares cabíveis, conforme a legislação vigente.

A Adapec reafirma que não compactua com qualquer forma de assédio, violência ou desrespeito, e reforça que mulheres denunciem qualquer ato dessa natureza, destacando que a denúncia é fundamental para a apuração dos fatos e a responsabilização dos autores.