A Justiça determinou uma nova prisão preventiva para o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogar o habeas corpus que havia beneficiado o artista. A decisão foi assinada pelo ministro Joel Ilan Paciornik nesta segunda-feira (2).
Segundo o ministro, Oruam desrespeitou repetidamente a medida cautelar de monitoramento eletrônico. A decisão destacou que o cantor passou longos períodos sem bateria na tornozeleira eletrônica, chegando a ficar até 10 horas sem sinal, principalmente à noite e nos finais de semana. “Há lacunas nos mapas de movimentação do acusado”, afirmou o magistrado, ressaltando a “ineficácia” da fiscalização.
Um relatório anexado ao processo indica que o monitoramento foi interrompido 28 vezes entre os dias 30 de setembro e 12 de novembro de 2025, em um intervalo de apenas 43 dias. Para o STJ, a frequência dessas falhas vai além de um simples problema técnico. “Tal conduta compromete diretamente o controle estatal sobre a liberdade do acusado”, diz o documento.
A defesa de Oruam justificou que as falhas ocorreram por problemas na bateria da tornozeleira e que não houve descumprimento de outras medidas cautelares. No entanto, o STJ considerou que a reincidência no descumprimento configura risco concreto à ordem pública e à aplicação da lei penal.
O caso teve início em julho de 2025, quando policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) foram à casa de Oruam, no bairro Joá, Zona Oeste do Rio, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente ligado à facção Comando Vermelho. Durante a operação, o adolescente escapou após a viatura ser atacada com pedras por Oruam e outros presentes. Vídeos do momento serviram como base para o pedido de prisão.
O rapper chegou a ficar mais de 60 dias preso no Complexo de Gericinó, até obter liberdade por decisão do STJ, agora revista pela Corte. A defesa do artista ainda não se pronunciou sobre a nova determinação.
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