Envolvidas em um abraço e emocionadas, a jovem Cecília Leite, de 21 anos, celebrou com a mãe a tão aguardada aprovação no curso de medicina, que veio em dose dupla. A estudante foi aprovada na Universidade Federal do Tocantins (UFT) e, em seguida, na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT).
Foram quatro anos de estudos e mudanças na rotina para prestar o vestibular e realizar o sonho de infância. Cecília optou pela UFT e já iniciou a graduação no campus de Palmas.
"A medicina sempre foi um sonho de infância para mim. Desde cedo eu me imaginava nessa área, e com o tempo esse desejo só foi ficando mais forte. Hoje eu sinto que estou vivendo algo muito especial. Minhas aulas já começaram e, às vezes, parece até um sonho, porque foi algo que eu sempre quis muito", contou em entrevista ao g1.
A jovem recebeu a notícia da aprovação no dia 9 de fevereiro de 2026. Três dias depois, no dia 12, descobriu que também havia sido aprovada em medicina na UFNT. Para chegar ao tão sonhado curso, Cecília focou nos estudos e apostou na constância como estratégia para alcançar o resultado.
“Organizei uma rotina. Estudava praticamente todos os dias, fazia muitas revisões e resolvia muitas questões, porque isso me ajudava a entender como as provas funcionavam. Também tive que aprender a lidar com momentos de cansaço e ansiedade. Costumava assistir a três ou quatro aulas por dia. Cada uma tinha, em média, 1h30. Parei de assistir às aulas e comecei a resolver apenas as provas do Exato, até que chegou um ponto em que descobri os padrões das questões e corri para o abraço”, explicou.
A expectativa pela aprovação não era apenas de Cecília. A mãe, Iraneide Sousa Leite, também aguardava a realização do sonho da filha e, por isso, decidiu, há dois anos, fazer um carimbo com o nome “Dra. Cecília Leite”.
"Às vezes, ela madrugava estudando e sempre acompanhava essa rotina. Às vezes, ela falava: 'Mãe vou dar aula para você, porque assim eu aprendo mais fácil. E assim fazíamos. E deu certo. Ainda hoje me emociono. Não foi fácil, mas ela conseguiu", contou.
Iraneide é servidora pública e estava no trabalho quando o resultado saiu. Ela e a filha combinaram que, se a aprovação chegasse, Cecília daria a notícia pessoalmente.
“Estávamos aflitas. Fui trabalhar e a deixei em casa meio chorosa. Falei para ela: ‘Filha, se sair o resultado hoje, não me liga, vá ao meu trabalho’. Quando cheguei, pouco tempo depois ela entrou na minha sala, aos berros, dizendo que a matrícula tinha sido deferida. Caí no choro, de alívio e de sensação de dever cumprido.”
As aulas na UFT já começaram, e Cecília já está tendo contato com as primeiras disciplinas do curso. “Sou muito grata a Deus, aos meus pais e aos meus amigos, que estiveram comigo em todos os momentos dessa caminhada", finalizou Cecilia.
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