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Operação da Polícia Civil investiga venda ilegal de CNHs no Tocantins

Polícia afirmou que os candidatos pagavam valores que chegavam a R$ 4,3 mil para obter a habilitação sem realizar as etapas obrigatórias do processo legal. Foram cumpridas 10 ordens de prisão e 59 mandados de busca e apreensão.

11/03/2026 07h53
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: G1 Tocantins
Operação da Polícia Civil investiga venda ilegal de CNHs no Tocantins

Dez mandados de prisão preventiva e 59 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos na manhã desta quarta-feira (11) pela Polícia Civil. A operação Sinal Vermelho investiga uma organização criminosa suspeita de fraudar a emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em todo o Tocantins.

A polícia afirmou que os candidatos pagavam valores que chegavam a R$ 4,3 mil para obter a habilitação sem realizar as etapas obrigatórias do processo legal, como exames médicos e psicológicos, aulas teóricas ou provas práticas.

Segundo as investigações, o grupo criminoso seria composto por servidores públicos, profissionais de clínicas médicas e psicológicas, instrutores de Centros de Formação de Condutores (CFCs) e funcionários de empresas terceirizadas.

Os nomes dos investigados não foram divulgados e o g1 não conseguiu contato com as defesas. O Departamento de Trânsito do Tocantins (Detran) foi procurado, mas ainda não se manifestou.

 

As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Augustinópolis. Os mandados são cumpridos em Araguaína, Araguatins, Augustinópolis, Palmas, Guaraí, Sítio Novo do Tocantins e Ananás, além de Imperatriz (MA). Cerca de 200 policiais civis participaram da operação.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistema de informações.

Como funcionava a fraude

 

As investigações começaram depois que a Delegacia Especializada de Repressão a Furtos, Roubos de Veículos Automotores (DERFRVA), em Palmas, descobriu a suposta existência de um esquema conhecido como “venda de CNHs à distância”.

A suspeita é de que os candidatos pagavam para ter o documento sem passar pelo processo obrigatório. Em alguns casos, os beneficiários sequer compareciam ao estado do Tocantins durante o processo.

Os investigados utilizavam diversos mecanismos para burlar os sistemas de segurança utilizados no processo de habilitação, entre eles:

 

  • Fraude biométrica: inserção de digitais de terceiros no sistema em substituição às dos candidatos ausentes;
  • Foto de foto: utilização de imagens de fotografias de documentos ou enviadas por aplicativos de mensagens para burlar o reconhecimento facial;
  • Aprovação irregular: lançamento manual de resultados positivos em provas que não foram realizadas.

 

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a operação teve apoio do Detran-TO e as provas obtidas durante a operação devem ser compartilhadas com a corregedoria do órgão para adoção das medidas administrativas cabíveis.

 

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