Cidades Tocantins
Professora cuida da filha de estudante em sala e gesto repercute na web: 'Ensinar vai muito além do conteúdo'
Caso aconteceu durante uma aula em um curso técnico de enfermagem em Augustinópolis, no norte do estado. Luana Patrícia leciona há mais de um ano e viu a oportunidade de prestar apoio a jovens mulheres.
01/04/2026 11h05
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: G1 Tocantins

Um vídeo da professora Luana Patrícia Garcia, de 25 anos, viralizou após ela aparecer segurando a filha de uma estudante no colo para que a jovem pudesse assistir à aula. Luana dá aula em um curso técnico de enfermagem em Augustinópolis, região do Bico do Papagaio. Para a professora, a atitude faz parte de um processo educacional que envolve empatia e humanidade.

"Ensinar, para mim, não é só transmitir conteúdo. É enxergar o aluno como ser humano, com histórias, dores, desafios… e muitas vezes, com batalhas silenciosas que ninguém vê", disse ao g1.

 

O momento aconteceu em uma aula realizada no último sábado (28). No vídeo, Luana aparece com a criança no colo enquanto dá aula. Depois, a menina segue aos cuidados da professora, que brinca com alguns objetos da mesa.

"No dia anterior à aula, minha aluna avisou no grupo que não teria com quem deixar sua filha. Ela mora sozinha, longe da família, sem rede de apoio. E quem é mãe sabe o peso que isso tem. Diante disso, não houve dúvida: eu, a coordenação e a instituição acolhemos. Dissemos: 'traga sua filha, você não vai perder sua aula por isso'. E ela veio", contou.

Para a estudante Giovana Sousa, de 21 anos, a ajuda da professora foi importante para que ela não fosse prejudicada nos estudos. "Esse cuidado fez toda a diferença pra gente, principalmente nesse momento. Só tenho a agradecer pela atenção e dedicação dela. Fiquei muito grata pelo apoio da professora Luana com a minha filha".

Luana é enfermeira, doula, sexóloga e leciona há um ano e quatro meses em uma escola técnica. A professora contou ao g1 que se sensibilizou com a situação, pois vivenciou algo parecido quando estudava. Por ter sido mãe aos 14 e 17 anos, entende que todo apoio é fundamental para que as mães não abandonem os estudos.

"E tem algo ainda mais forte nisso tudo: eu já estive exatamente no lugar dela. Fui mãe na adolescência. Já precisei levar minha filha bebê para a escola. E se eu cheguei até aqui hoje, foi porque alguém, lá atrás, também me acolheu, também me estendeu a mão. Então, naquele momento, não era só uma professora ajudando uma aluna. É uma história sendo retribuída".

 

A professora acredita que ter um filho não é o fim de nada e que, se depender dela, seus estudantes sempre terão suporte.

"Nenhuma mulher vai desistir por falta de apoio. Porque às vezes, tudo que a gente precisa é de alguém dizendo: 'pode vir, a gente dá um jeito'".