O Tocantins contabiliza 1.593 registros de pessoas que foram vítimas de picadas de serpentes desde 2024. Apenas nos três primeiros meses de 2026, foram 200 novos registros. O número reflete o maior contato entre os seres humanos e animais silvestres, seja em áreas urbanas ou rurais.
O levantamento foi feito pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO). Veja os dados:
Uma dessas vítimas foi o pequeno Asafe Pereira de Sousa, de 6 anos, que foi picado por uma jararaca na chácara da família. A espécie de cobra é altamente venenosa e ele precisou ficar internado por 11 dias. Para a mãe, a recuperação foi um 'verdadeiro milagre'.
Parte dos atendimentos às vítimas no estado é feita no Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), em Araguaína, no norte do estado. Em 2025, a unidade atendeu 75 vítimas de acidentes com cobras.
De acordo com a médica Alexsandra Rossi, do HDT, a maioria dos casos atendidos no hospital foi causada por serpentes do tipo botrópico, como jararaca, jararacuçu, urutu, cotiara, cruzeira e caiçara.
Em seguida, aparecem os acidentes não especificados ou por outras espécies. Também foram contabilizadas picadas de cascavel e das cobras conhecidas como corais verdadeiras.
"São predominantemente adultos jovens, geralmente na faixa dos 20 aos 40 anos. Em muitos casos, são pessoas em atividade laboral ou em momentos de lazer no momento do acidente", comentou.
Conforme os dados da SES, dos 1.593 casos de acidentes por serpentes no Tocantins, desde 2024, 1.205 vítimas foram do sexo masculino e 388 do sexo feminino. Veja os dados por faixa etária.
Em caso de acidentes, a orientação é procurar atendimento o mais rápido possível, pois o uso precoce do soro antiofídico reduz o risco de complicações.
"Sempre que possível, se for seguro, a identificação da serpente também pode ajudar, mas sem colocar ninguém em risco. Também é importante lembrar que, em nossa região, ainda existe o costume de não oferecer água ao paciente após a picada, mas a hidratação é fundamental, desde que a pessoa esteja consciente e sem dificuldade para engolir", alerta Alexsandra.
As serpentes não têm os seres humanos como presas naturais, mas podem atacar ao se sentirem ameaçadas. A veterinária Jenniffer Rodrigues Fernandes explica que as serpentes exercem um papel ecológico fundamental, principalmente no controle de roedores e por isso devem ser tratadas com respeito e manejadas de forma adequada.
"O correto é acionar o Batalhão Ambiental, a Polícia Ambiental ou o Corpo de Bombeiros, que são treinados para recolher esses animais com segurança. A pessoa deve apenas sinalizar o local e aguardar", explicou a veterinária.
Veja orientações de segurança: