O mecânico agrícola Adenir Rodrigues da Conceição, de 42 anos, que passou 20 dias desaparecido em uma mata na região de Cariri do Tocantins, no sul do estado, contou ao g1, nesta quinta-feira (23), que chegou a ficar sem comer nada, bebendo apenas água.
O mecânico desapareceu no dia 14 de março e foi localizado em 3 de abril, após um caminhoneiro reconhecê-lo e informar seu paradeiro em um hospital de Figueirópolis.
Ex-brigadista, Adenir Rodrigues usou técnicas de sobrevivência para resistir, bebendo água de rios e córregos. Para caminhar sobre o solo pedregoso, amarrou folhas nos pés com cipós.
“Eu não comia nada, só bebia, né? Eu cheguei a um ponto de desistir. Teve vez que, para conseguir andar, tive que colocar folhas nos pés”, desabafou.
Ele contou ainda que chegou a andar dentro d’água para não deixar rastros e que acredita ter passado por um possível “surto”.
"Na verdade, eu não tinha medo de nada, eu só não queria ver gente! ", explicou.
Adenir mora em Talismã, na região sul do estado. Ele trabalhava em uma fazenda em Cariri do Tocantins quando saiu em direção a um córrego e não foi mais visto. Uma força-tarefa realizou buscas na região durante oito dias, mas familiares e voluntários continuaram as buscas por conta própria.
O mecânico reforçou que não tinha problemas no trabalho nem com a família. Segundo ele, o único motivo do desaparecimento foi uma crise que enfrentou. Dois dias após desaparecer, ele chegou a uma fazenda a 16 quilômetros do local de trabalho, onde recebeu água e comida. Em seguida, voltou à mata até ser encontrado no dia 3 de abril.
Adenir desapareceu desapareceu em uma fazenda em Cariri do Tocantins, na região sul do estado. O mecânico deixou para trás todas as ferramentas de trabalho, roupas e até a própria motocicleta. Ele foi visto pela última vez descendo em direção a um córrego e, desde então, sumiu na vegetação.
Durante as buscas, o mecânico foi avistado por drones. As buscas oficiais mobilizaram o Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e cães farejadores por oito dias, mas foram suspensas devido às chuvas e à falta de pistas.
Especialistas acreditavam que o treinamento de Adenir como brigadista foi fundamental para que ele resistisse por tanto tempo isolado. Familiares e voluntários nunca interromperam as buscas por conta própria até o reencontro nesta sexta-feira.