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Pacientes com câncer relatam interrupção de tratamento na rede pública do Tocantins

Pacientes afirmam que sessões de quimioterapia foram suspensas por falta de medicamento durante período de transição da oncologia do HGP para o Hospital de Amor.

24/06/2026 10h25
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: G1 Tocantins
Pacientes com câncer relatam interrupção de tratamento na rede pública do Tocantins

Pacientes em tratamento contra o câncer relataram interrupções em atendimentos e dificuldades para obter medicamentos na rede pública de saúde do Tocantins. Os casos envolvem pacientes atendidos pela Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hospital Geral de Palmas (HGP) e vêm ocorrendo durante o processo de transição dos serviços oncológicos para o Hospital de Amor.

Entre os pacientes que denunciam problemas está José Neto Pereira Rodrigues, morador de Natividade. Ele iniciou o tratamento contra o câncer em Goiás e, após se mudar para o Tocantins, passou a ser atendido no HGP.

Segundo ele, o tratamento foi interrompido devido à falta do medicamento capecitabina. "O ciclo é de 21 em 21 dias. Eu tomo 14 dias, passo sete em repouso sem tomar e depois continuo. Mas agora parou e não posso parar", afirmou.

A mesma situação é enfrentada por Maria de Lourdes Barreira de Oliveira, de 75 anos, que faz tratamento contra câncer de intestino há sete meses. Conforme familiares, as sessões de quimioterapia também foram interrompidas pela falta do medicamento.

"Ficamos sem a medicação. Como fica o psicológico, a saúde? Qual é a resposta?", questionou Otávia, a nora da paciente.

Segundo a família, a compra do remédio de forma particular custou mais de R$ 2,5 mil. A justificativa recebida foi que o desabastecimento estaria relacionado ao processo de transição dos atendimentos para o Hospital de Amor.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) afirmou que a Unacon mantém suas atividades regularmente, com consultas, exames, tratamento quimioterápico e acompanhamento multidisciplinar, sem interrupção da assistência (veja nota completa abaixo).

 

Transição para o Hospital de Amor

 

No fim de abril, o Governo do Tocantins assinou contrato com o Hospital de Amor para assumir parte dos atendimentos oncológicos no estado. O acordo prevê um investimento estimado em R$ 67 milhões e um prazo de até 120 dias para a conclusão da transição dos serviços.

Durante esse período, pacientes que estavam em tratamento continuam vinculados ao HGP, enquanto novos atendimentos passam gradualmente para a nova estrutura. A Defensoria Pública do Estado do Tocantins acompanha o processo e destaca que a mudança não pode comprometer a continuidade da assistência aos pacientes.

Paciente espera cirurgia há mais de dois meses

 

Além das reclamações relacionadas ao tratamento oncológico, pacientes também relatam demora para procedimentos em outras áreas da saúde estadual. O cadeirante Gedeon Pereira Soares, morador de Porto Nacional, afirma que aguarda há mais de dois meses por uma cirurgia de reparação de uretra.

Segundo ele, a demora agravou seu estado de saúde. "Estou pegando infecções urinárias e com medo de agravar ainda mais a minha situação", relatou.

 

Íntegra da nota da Secretaria da Saúde

 

A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) informou, em nota, que Gedeon Pereira Soares está regulado na rede estadual e que o processo segue os critérios estabelecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Sobre os pacientes José Neto Pereira Rodrigues e Maria de Lourdes Barreira de Oliveira, a pasta afirmou que a Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) do Hospital Geral de Palmas mantém suas atividades regularmente, com consultas, exames, tratamento quimioterápico e acompanhamento multidisciplinar, sem interrupção da assistência.

Em relação ao medicamento capecitabina, a secretaria informou que realiza monitoramento permanente dos estoques e reposição contínua, mas que a demanda recente ficou acima do volume inicialmente previsto, tornando necessária uma nova aquisição, já solicitada.

A SES afirmou ainda que acompanha o processo de reabastecimento e adota medidas para garantir a continuidade da assistência aos pacientes.

 

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