Cidades Tocantins
Contador é alvo de operação que apura desvio R$ 55 milhões aos cofres públicos
Investigado teria assumido escritório de contabilidade após a fuga do suposto líder do esquema. Durante buscas em Palmas, polícia apreendeu notebooks, carimbos e porções de maconha.
24/06/2026 10h29
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: G1 Tocantins

Um contador de 32 anos foi alvo de um mandado de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (23), em Palmas, durante uma nova fase da Operação El Dourado. Segundo a Polícia Civil, ele é investigado por integrar um esquema milionário de sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro que teria causado um prejuízo superior a R$ 55 milhões aos cofres públicos do Tocantins.

A Operação El Dourado foi deflagrada em março de 2026 para desarticular uma organização que utilizava "empresas de fachada" ou "noteiras" para simular a compra e venda de grãos, como soja e milho. O objetivo era gerar créditos fictícios de ICMS para reduzir indevidamente os tributos de terceiros.

As investigações apontam que o contador assumiu a gestão do escritório de contabilidade utilizado pela organização criminosa após a fuga de Paulo César Maciel dos Santos, apontado como o líder do grupo.

O nome do investigado não foi divulgado, por este motivo o g1 não conseguiu acesso à defesa.

A ação foi realizada pela Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT), com apoio da Secretaria da Fazenda. Ainda conforme a SSP, o mandado foi cumprido na residência do investigado, no Plano Diretor Sul da capital. No local, foram apreendidos notebooks, celulares, carimbos, além de porções de maconha.

De acordo com o delegado Vinicius Mendes de Oliveira, o contador exercia um papel estratégico. Ele controlava as contas bancárias da organização pelo próprio celular e para autorizar transferências de altos valores, se deslocava até os "laranjas" do esquema apenas para utilizar o reconhecimento facial deles nos aplicativos de banco.

O principal alvo da operação e apontado como líder do grupo é Paulo César Maciel dos Santos, que permanece foragido da Justiça. De acordo com as investigações, ele teria realizado procedimentos estéticos recentes para alterar a fisionomia e dificultar a localização pelas autoridades.

Todo o material apreendido passará por perícia para subsidiar o avanço das investigações e a responsabilização dos envolvidos.

Relembre o caso

 

O grupo utilizava empresas de fachada para simular a compra e venda de grãos com o intuito de gerar créditos fictícios de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Segundo a Polícia Civil, em apenas seis meses, uma das empresas envolvidas declarou movimentações superiores a R$ 464 milhões, mas recolheu apenas R$ 39 mil em tributos, gerando um prejuízo estimado de R$ 55,9 milhões aos cofres do Tocantins.

O esquema operava com estruturas físicas mínimas para dar uma aparência de legalidade. Durante as diligências, a polícia descobriu que as sedes das empresas funcionavam em salas minúsculas, muitas vezes com apenas uma mesa e um notebook, sem qualquer capacidade logística para o armazenamento ou transporte de grãos.

Ex-funcionárias relataram em depoimento que eram contratadas apenas para manter os locais abertos e instalar softwares de acesso remoto. Para evitar a identificação dos verdadeiros articuladores, a organização utilizava pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica como "laranjas".

O grupo monitorava as ações da Secretaria da Fazenda e, sempre que uma inscrição estadual era bloqueada por suspeita de irregularidade, eles abandonavam o CNPJ e ativavam imediatamente uma nova empresa de prateleira para dar continuidade à sonegação.