Polícia Paraíso do Tocantins
Polícia investiga suspeita de contaminação da água distribuída durante crise hídrica em Paraíso
Inquérito apura fornecimento de água com odor forte e aspecto turvo e possíveis crimes ambientais no Tocantins. Município enfrenta crise no abastecimento há mais de 20 dias.
22/10/2026 08h37
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: G1 Tocantins

A Polícia Civil abriu investigação para apurar a suspeita de contaminação da água fornecida em Paraíso do Tocantins, na região central do estado, além de possíveis danos ambientais e eventuais infrações contra os direitos dos consumidores. A apuração começou após denúncias de moradores sobre a falta de água e o fornecimento com coloração turva e odor fétido.

O município enfrenta uma crise hídrica há mais de 20 dias, agravada pela seca de reservatórios. Para tentar garantir o abastecimento, a cidade adotou um sistema de rodízio, com o fornecimento dividido entre duas regiões, que recebem água em horários diferentes. Diante da situação, a Justiça do Tocantins concedeu uma liminar que obriga a concessionária BRK Ambiental a adotar medidas emergenciais para regularizar o serviço. A prefeitura decretou situação de emergência no município.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o procedimento foi instaurado pela 62ª Delegacia de Polícia de Paraíso do Tocantins para esclarecer se houve contaminação da água que chega às residências e se ocorreram danos ambientais. A investigação também busca apurar informações sobre os mananciais de captação e as condições sanitárias de todas as etapas do processo, desde a captação até o transporte e a distribuição da água.

O g1 procurou a BRK Ambiental, empresa responsável pelo abastecimento de água, para pedir um posicionamento sobre a instauração do inquérito policial, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Ainda conforme a SSP, outro ponto sob investigação é o relato de descumprimento dos horários do rodízio anunciados à população, além de possíveis alterações na medição do consumo pelos hidrômetros durante os períodos em que o fornecimento de água fica interrompido.

Segundo a SSP, amostras já foram coletadas e estão em análise. Os exames abrangem diferentes pontos do sistema de abastecimento, desde a Estação de Tratamento de Água (ETA) e o reservatório central até torneiras de imóveis afetados. A Polícia Civil informou que a investigação continua em andamento e que os resultados das perícias serão fundamentais para apurar eventuais responsabilidades legais.

Em seu posicionamento mais recente sobre as reclamações dos moradores, a concessionária afirmou que a água distribuída atende a todos os critérios e padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde e que a operação é monitorada constantemente. (Veja a nota da BRK na íntegra ao final da reportagem).

Entenda o caso

 

No dia 11 de outubro, a BRK implementou um sistema de abastecimento em rodízio, dividindo o município em duas regiões, com períodos de 12 horas de fornecimento para cada área. Devido à escassez de água, sete das 18 unidades de ensino da cidade precisaram reduzir ou suspender as aulas. Estabelecimentos comerciais também tiveram que comprar galões de água mineral para manter o atendimento.

O Ministério Público do Tocantins (MPTO) ajuizou uma ação civil pública no dia 17 de outubro. Na ação, o órgão apontou que a autorização da concessionária para captar água estava vencida desde julho de 2026 e que relatórios internos da própria empresa já indicavam a vulnerabilidade hídrica do município desde 2019.

Na última segunda-feira (19), a 1ª Vara Cível de Paraíso do Tocantins concedeu uma liminar que obriga a BRK a adotar um plano emergencial, fornecer água por caminhões-pipa a serviços essenciais e divulgar diariamente informações operacionais sobre o abastecimento, sob pena de multa diária.

No mesmo dia, a Prefeitura decretou situação de emergência por 180 dias e proibiu o desperdício de água tratada em atividades consideradas supérfluas, como a lavagem de calçadas e piscinas. O decreto também determinou a suspensão da cobrança das faturas de água até que o fornecimento seja totalmente normalizado.

 

Íntegra da nota da BRK Ambiental

 

A BRK esclarece que a água distribuída pela concessionária em Paraíso do Tocantins atende a todos os padrões de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde. A empresa realiza monitoramento contínuo, com análises que atestam a qualidade da água fornecida à população.

O cenário de estiagem prolongada e a redução expressiva do nível do Rio do Coco exigiram a adoção de medidas preventivas para reforçar o abastecimento, incluindo a utilização de outras fontes de captação, como o Córrego da Cachorra, a Barragem Pernada e o Parque das Águas, além da ativação de nove poços. Essas mudanças exigem cuidados adicionais e ajustes operacionais no tratamento, incluindo adequações na dosagem de produtos necessários para assegurar a qualidade da água.

Em função dessas adaptações, podem ocorrer alterações na percepção de odor da água em relação ao que os moradores estão habituados. Essa percepção, isoladamente, não determina a potabilidade da água, que é verificada por meio de análises técnicas e do monitoramento dos parâmetros de qualidade previstos na legislação.

A BRK orienta que os moradores entrem em contato com a empresa caso percebam alterações no aspecto, no cheiro ou no gosto da água, para que a situação possa ser avaliada.

A empresa reforça, ainda, a importância de consumir água de procedência segura, cuja potabilidade seja conhecida e comprovada, evitando o consumo de água proveniente de fontes alternativas sem o devido controle de qualidade.

A BRK mantém seu plano de contingência e as medidas operacionais necessárias para minimizar os impactos da estiagem no abastecimento. Essas ações serão mantidas enquanto as condições de captação exigirem, até que a recuperação dos níveis do Rio do Coco permita o retorno a condições mais favoráveis.