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Mulher que denunciou PM por agressão relata medo: 'Sempre assombrada'

No Tocantins, 80 medidas protetivas foram descumpridas em apenas dois meses. Especialista reforça que a pena nesses casos podem chegar a dois anos de reclusão.

19/02/2026 08h49
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: G1 Tocantins
Mulher que denunciou PM por agressão relata medo: 'Sempre assombrada'

Mesmo quando há amparo legal a violência doméstica continua deixando vítimas no Tocantins. Um caso recente em Palmas envolve Ingrid Gabriele Santos, que denunciou ter sido agredida pelo ex-companheiro, o policial militar Edimar Silva Araújo. A vítima, que possui medida protetiva desde 2024, relatou ter sofrido socos na cabeça e na costela durante a agressão mais recente.

"É terrível, é você estar sempre assombrada. Você não vive bem dentro da sua casa. Eu mesma estou aterrorizada porque ele sabe a minha rota, sabe onde eu moro. É viver como se fosse um monstro vindo atrás de ti o tempo todo", desabafou Ingrid.

 

Ingrid Gabriele foi agredida na noite de 14 de fevereiro, quando foi até a casa onde o policial estava para cobrar uma dívida de R$ 1,5 mil. O valor seria usado para comprar medicamentos para a filha dela, que está internada.

"Tem as marcas aqui no meu rosto, ele me agrediu, puxou meu cabelo, me deu muitos soco na minha cabeça, bastante soco na minha cabeça e na minha costela, que eu estou toda doída", relata.

Segundo o boletim de ocorrência, o policial saiu da casa de forma agressiva. Ingrid relatou que ele puxou seus cabelos, deu um tapa em seu rosto e a arremessou contra a parede. O celular dela também foi danificado.

Edmar Silva de Araújo, segundo-tenente da Polícia Militar do Tocantins. Ele é concursado desde 2005 e atua como músico na ajudância-geral da corporação. O advogado do PM afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos para se manifestar detalhadamente, mas reforçou o compromisso com o devido processo legal e o enfrentamento à violência doméstica.

O caso é investigado pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Palmas.

 

Dados e Investigação

 

No momento da agressão, Ingrid possuía uma medida protetiva de urgência contra o oficial, expedida em 2025. Segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública (SSP-TO), 80 medidas protetivas foram descumpridas no estado em 2026 até 16 de fevereiro, sendo 26 na capital.

A advogada Jheccey Camelo, reforça que embora existam casos de descumprimento, a medida protetiva é um instrumento jurídico que salva vidas, pois permite a expedição imediata de mandados de prisão.

"Infelizmente, várias vítimas, quando chegam para nós, dizem: 'Doutora, mas esse papel vai me adiantar do quê? Esse papel não vai salvar minha vida'. Mas ele salva. Então, eu diria para essas mulheres: denunciar, não temer, não ficar calada. Vamos denunciar esses agressores porque eles têm que ser presos", alertou a especialista.

A Polícia Militar informou, em nota, que não compactua com condutas que violem a lei e que abrirá um procedimento administrativo para apurar o caso.

 

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