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Marido de vítima de feminicídio vai responder em liberdade; filhas seguem presas por suspeita do crime

José Roberto Ribeiro foi indiciado por obstruir as investigações ao apagar mensagens e esconder o veículo usado no crime.

10/04/2026 10h07
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: G1 Tocantins
Marido de vítima de feminicídio vai responder em liberdade; filhas seguem presas por suspeita do crime

José Roberto Ribeiro, de 54 anos, marido da empresária Deise Carmem de Oliveira Ribeiro, vítima de feminicídio, foi solto após 60 dias. Ele ficou 30 dias preso temporariamente, com a medida prorrogada por mais 30.

José Roberto e as duas filhas foram indiciados pela morte de Deise Carmem, no último dia 6. Ele foi indiciado por atuar na eliminação de provas do crime e por tentar atrapalhar as investigações. José Roberto vai responder em liberdade. As filhas Déborah de Oliveira Ribeiro, de 26 anos, e Roberta de Oliveira Ribeiro, de 32 anos, foram indiciadas pela morte e pela ocultação do corpo. Elas seguem presas.

O corpo de Deise foi encontrado no dia 1º de janeiro, no Rio Santa Tereza, em Peixe, no sul do Tocantins. Segundo a Polícia Civil, o crime foi motivado por conflitos familiares e interesses financeiros.

Em nota, a defesa de Déborah, Roberta e José Roberto afirmou que ainda não teve acesso a todas as provas da Polícia Civil do Estado do Tocantins (PCTO). Segundo os advogados, a falta de informações sobre o caso impede uma manifestação definitiva no momento, mas sustentam que não existem provas que liguem José Roberto ao caso de Deise Carmen e que o indiciamento das filhas é apressado.

Os advogados disseram que há falhas na investigação e que valores de uma indenização da vítima foram transferidos para contas de pessoas fora do núcleo familiar. Para os defensores, isso enfraquece a tese da polícia (veja nota completa abaixo).

Segundo o delegado do caso, João Paulo Sousa Ribeiro, o marido teria apagado dados digitais e escondido a caminhonete usada pelas filhas para transportar o corpo da mãe.

Após concluir o inquérito, a polícia avaliou que não há provas de que José Roberto tenha participado do assassinato ou da ocultação do corpo. Como ele não responde por feminicídio, a Justiça não converteu sua prisão temporária em preventiva, o que permitiu a soltura.

“A investigação foi concluída com o indiciamento das filhas pelo feminicídio. Ele não foi indiciado por esse crime. Por isso, não havia motivo para converter a prisão dele, que era temporária, em preventiva”, informou o delegado.

 

Deise Carmem era dona de uma fábrica de rodos que era a principal fonte de renda da família. Conforme o delegado João Paulo, as filhas, apesar de exercerem outras atividades, dependiam financeiramente da mãe.

 

"As filhas queriam ter um padrão de vida, não de luxo, nada disso. Mas dependiam financeiramente. E a vítima era um empecilho para isso. Um dos conflitos maiores ultimamente foi o pai ter dado, inclusive, um cartão para uma das filhas gastar, e a mãe não concordava com isso."

Segundo a investigação, a vítima era vista pelas filhas como um “embaraço”. Com a morte, elas poderiam, supostamente, ter controle sobre a empresa.

"Então as filhas viam a mãe como um embaraço na vida delas. A partir do momento que a mãe faltasse, elas iam ter total controle porque o pai, além de ser, entre aspas, "bom" para elas, é uma pessoa assim que não tem muita instrução, ele não ia tentar fazer esse controle, ele não ia controlar as despesas, a questão financeira. E isso ia passar para elas, elas iam ter total controle", explicou o delegado.

A suspeita da polícia é de que o crime foi planejado e executado pelas filhas. A investigação apontou que elas compraram um celular no nome da mãe e, após matarem a vítima, usaram o aparelho para enviar mensagens aos parentes, fingindo que Deise tinha ido embora por conta própria. A estratégia serviu para atrasar as buscas e enganar a polícia.

O marido, José Roberto Ribeiro, foi indiciado por ter atuado na eliminação de registros relevantes após o crime e tentado atrapalhar as investigações.

 

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