A secretária de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, e o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, foram presos na manhã desta quarta-feira (10) durante uma operação da Polícia Civil. As prisões são desdobramento da investigação sobre a terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
A empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, que teria atuado como lobista no contrato de terceirização, é procurada pela Polícia Civil.
A defesa da secretária informou que ainda não teve acesso a todo o material e não tem condições de se manifestar sobre o mérito neste momento. "Temos a convicção de que a prisão é desproporcional e desnecessária, e isso será levado oportunamente ao Judiciário", disse o advogado Maurício Haeffner.
O advogado de Andreis Vicente afirmou que solicitou acesso aos autos do inquérito e vai se posicionar ao longo do dia. A defesa de Cláudia afirmou que não teve acesso aos autos, mas a empresária está viajando e vai retornar para se apresentar à polícia.
A Prefeitura de Palmas, por meio da Procuradoria-Geral do Município, informou que acompanha o caso e aguarda o acesso às informações oficiais dos autos para se manifestar. Segundo o município, os atendimentos seguem normais, inclusive, nas UPAs (veja nota completa abaixo).
A Secretaria de Saúde de Palmas (Semus) está no centro de uma polêmica envolvendo a terceirização das UPAs Norte e Sul de Palmas. No fim de maio, dez mandados de busca e apreensão contra servidores públicos foram cumpridos durante a operação Falsa Emergência.
A terceirização começou em março de 2026. Na ocasião, a Prefeitura anunciou um contrato de R$ 139 milhões com a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba. O contrato chegou a ser suspenso pela Justiça do Tocantins, mas foi liberado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A Santa Casa de Misericórdia de Itatiba informou que não está sendo investigada nesta operação e negou que Cláudia Fernanda seja representante da instituição. "A instituição permanece à disposição das autoridades para colaborar com os esclarecimentos necessários", diz a nota.
A investigação da Polícia Civil sobre a terceirizaçãodas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas envolve indícios de direcionamento da contratação, produção de documentos com datas suspeitas e possível falsidade ideológica dentro do processo administrativo.
Nesta terça-feira (9), o Ministério Público do Tocantins pediu a anulação do contrato. Provas colhidas pela Polícia Civil e apresentadas à Justiça pelo MPTO indicam que a contratação da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba ocorreu em "reuniões a portas fechadas".
Os documentos correram secretamente até mesmo dentro da Semus, e servidores da pasta foram pressionados a assinar pareceres favoráveis sem terem acesso ao processo administrativo e ao plano de trabalho.
O resultado, segundo o MPTO, teria sido um trâmite direcionado à contratação da Santa Casa, que evitou a publicidade dos atos, a fiscalização externa e a participação de outros interessados.
O Ministério Público indicou que a representante da Santa Casa alugou um carro de luxo (BMW/X1 S20I M SPORT, ano fab/mod 2025/2026) um dia antes da assinatura da Justificativa de Dispensa de Chamamento Público, documento que dispensou procedimento licitatório. O veículo supostamente foi entregue ao superintendente da Semus, responsável por montar o processo de contratação.
A BMW era utilizada constantemente pelo superintendente. O veículo foi locado a um custo global de R$ 228.576,00 por dois anos, equivalente a R$ 9.524,00/mês.
A empresária que teria alugado o carro, segundo o MPTO, é ré em um processo judicial de improbidade administrativa, por outros ilícitos na área da saúde pública. Ela responde pelo desvio de R$ 1 milhão em contratos relacionados ao fornecimento de testes rápidos da Covid-19, em 2020.
A Prefeitura de Palmas, por meio da Procuradoria Geral do Município, informa que acompanha o caso e aguarda o acesso às informações oficiais dos autos para se manifestar.
A secretária de Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, e o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, serão conduzidos para o Batalhão do Comando Geral da Polícia Militar até audiência de custódia.
As ações da Secretaria de Saúde seguem normalmente, sem prejuízos à população, inclusive no atendimento das Unidades de Pronto Atendimento Sul e Norte.
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