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Mulher dá à luz em UPA após ser mandada para casa três vezes em maternidade de Palmas

Família relata que internação foi negada três vezes no Hospital Dona Regina sob justificativa de que as dores eram 'normais'. Nascimento ocorreu minutos após chegada à UPA.

30/06/2026 08h07
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: G1 Tocantins
Mulher dá à luz em UPA após ser mandada para casa três vezes em maternidade de Palmas

Uma mulher deu à luz na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sul, em Palmas, após ter o atendimento de internação negado três vezes no Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos. Segundo a família, Marcela Silva procurou a maternidade estadual diversas vezes com fortes dores e sangramento, mas foi orientada a retornar para casa em todas as ocasiões.

O parto aconteceu no último sábado (27), cerca de 20 minutos após a paciente dar entrada na UPA Sul, sendo realizado por uma equipe composta por pediatras e enfermeiros, já que a unidade não possui serviço de obstetrícia.

Marcela, que é moradora de Guaraí e estava em Palmas para o nascimento do filho, relata que o sofrimento começou no dia 20 de junho. De acordo com a paciente, mesmo apresentando sangramento e dificuldade para caminhar devido às dores na região pélvica, os médicos da maternidade afirmaram que os sintomas eram normais para o estágio da gestação.

“Foram três dias de muita dificuldade indo para essa maternidade. No segundo dia eu já estava perdendo líquido e falaram que era apenas um corrimento. No terceiro dia eu não aguentava mais ficar em pé e disseram que ainda não era o momento do parto”, relatou Marcela.

A cunhada de Marcela, Karinny Alves, acompanhou a jornada transportando Marcela, e afirma que a equipe médica teria informado que a internação só ocorreria quando a gestação completasse 41 semanas. “Pedimos pelo amor de Deus para internar porque ela não conseguia mais andar, mas disseram que pela política médica ela deveria aguentar e esperar”, afirmou.

Parto improvisado na UPA

 

Karinny informou que na noite de sábado, com a intensificação das contrações e estando hospedada na casa da cunhada no setor Jardim Taquari, cerca de 20 km da maternidade estadual, a família decidiu buscar socorro na UPA Sul. Ao chegar no local, a equipe médica constatou a urgência do caso, e como a unidade não tem estrutura para partos, o procedimento foi realizado em uma sala de emergência.

“Quem fez o parto foram dois pediatras e enfermeiros. O médico [da UPA] falou: 'Meu Deus, não tinha me preparado para fazer um parto'. Eles improvisaram tudo, usaram biombos para garantir a privacidade, e graças ao suporte deles o bebê nasceu bem, apesar de estar com o cordão enrolado no pescoço”, contou Karinny.

Após o nascimento, Marcela e o bebê foram transferidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Dona Regina para que os procedimentos referentes ao parto fossem finalizados. A transferência ocorreu devido à falta de estrutura técnica da UPA para realizar o atendimento completo.

A família questiona a postura dos profissionais da maternidade estadual. Marcela relatou que, ao chegar no hospital vinda da UPA, teria ouvido comentários sobre o fato de o parto ter ocorrido em uma unidade de pronto atendimento. "Ficaram questionando por que o parto não foi concluído lá, inclusive com a retirada da placenta, sendo que na UPA não tinha obstetra", desabafou a mãe.

Na maternidade estadual, Marcela e o recém-nascido permaneceram em observação clínica e passaram por exames de rotina para garantir que ambos estivessem estáveis após o parto improvisado. Após o período de monitoramento e a confirmação de que não havia complicações, eles receberam alta médica na tarde desta segunda-feira (29) .

g1 solicitou posicionamentos à Secretaria de Estado da Saúde (SES) e à Prefeitura de Palmas para entender os critérios de internação no Hospital Dona Regina e obter detalhes sobre o atendimento na UPA Sul, mas não obteve resposta de nenhum dos órgãos até a última atualização desta reportagem.

 

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