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Presos pagavam até R$ 500 para usar celular por meia hora em unidade penal no TO, diz polícia

Investigação da Polícia Civil revelou esquema de cobrança pelo uso de aparelhos em unidade penal do estado. Suspeito apontado como operador da rede foi preso em São Paulo.

30/10/2026 09h35
Por: Notícias 105 Tocantins Fonte: G1 Tocantins
Presos pagavam até R$ 500 para usar celular por meia hora em unidade penal no TO, diz polícia

Detentos da Unidade Penal de Paraíso do Tocantins, na região central do estado, pagavam até R$ 500 por apenas 30 minutos de acesso a celulares dentro das celas. A cobrança foi identificada durante as investigações da Operação Stuart, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (29) para desarticular um esquema clandestino de comunicação e tráfico de drogas coordenado de dentro do presídio.

A operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão no Tocantins e em São Paulo. Em Paraíso do Tocantins, foram cumpridas quatro ordens de prisão e nove de busca e apreensão. A ação foi realizada pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC), de Paraíso do Tocantins.

Segundo apuração da TV Anhanguera, a polícia identificou que os celulares entravam nas celas de forma discreta, puxados por fios. Imagens obtidas pelos investigadores mostram o momento em que os aparelhos são levados para dentro da unidade prisional.

Ainda conforme as investigações, o acesso aos celulares se tornou uma espécie de comércio entre os próprios detentos. Áudios interceptados com autorização judicial revelaram a insatisfação de internos com os valores cobrados e as restrições impostas pelos responsáveis pelo esquema.

Em uma das gravações, um detento reclama do limite de tempo para fazer ligações. Em outro diálogo, um preso afirma ter pago R$ 500 para usar o telefone durante meia hora.

Em outra conversa à qual as equipes do g1 e da TV Anhanguera tiveram acesso, um criminoso de São Paulo repreende um detento em Paraíso do Tocantins e cobra que ele tenha mais "visão de bandido" em suas ações. (Assista ao vídeo acima).

O homem apontado como responsável por operar a rede de comunicação é integrante de uma facção criminosa paulista e foi localizado em Cotia, no interior de São Paulo. Segundo a polícia, o suspeito tentou fugir ao perceber a aproximação dos agentes, mas foi alcançado e detido.

Os nomes dos suspeitos não foram divulgados, por isso, o g1 não conseguiu contato com as defesas.

Um homem de 35 anos, investigado no caso, integra setores da cúpula da facção conhecidos internamente como "Sintonia da Fora do Ar" e "Pé Quebrado". As investigações apontam que ele era responsável por garantir o suporte logístico para que detentos tocantinenses continuassem atuando no tráfico de drogas mesmo dentro da prisão. Ele também mantinha comunicação frequente com presos de outras cidades do Tocantins e de São Paulo.

Em nota, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informou que a Polícia Penal participou das buscas de forma integrada com a Polícia Civil, em Paraíso do Tocantins. A pasta afirmou ainda que mantém rotinas contínuas de segurança, com revistas minuciosas nas celas e controle rigoroso de visitantes, para impedir a entrada de itens proibidos e coibir a atuação de facções criminosas no sistema prisional. (Confira a nota na íntegra ao final da reportagem).

As investigações da 6ª DEIC começaram em 2025, após a Polícia Civil constatar que o grupo criminoso utilizava a comunicação ilegal para ordenar roubos, tráfico de drogas, cobranças violentas de dívidas e ataques armados em Paraíso do Tocantins.

Ainda conforme apuração da TV Anhanguera, para colocar os planos em prática, os presos contavam com a ajuda de companheiras e familiares que estavam em liberdade. Fora da cadeia, esses parentes executavam as determinações, movimentavam os valores ilícitos e organizavam a distribuição de drogas.

 

'Tribunal do crime' determinava punições

 

Outro ponto identificado pela investigação foi a existência de um sistema interno de punições conhecido como "tribunal do crime". Segundo a Polícia Civil, o mecanismo era utilizado para aplicar sanções contra integrantes da facção e pessoas que descumprissem regras impostas pelo grupo.

De acordo com os elementos investigativos, o investigado de São Paulo atuaria como uma espécie de juiz, analisando pedidos encaminhados por membros presos e decidindo sobre a aplicação de punições.

Entre as medidas identificadas pelos investigadores estavam ameaças, agressões físicas, chamadas pelos integrantes de "madeirada", e até determinações de morte contra pessoas que desrespeitassem as ordens da organização criminosa.

Nota da Seciju na íntegra

 

A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informa que atuou de forma integrada com a Polícia Civil, por meio da Polícia Penal, nas buscas realizadas na manhã desta quinta-feira, 29, em Paraíso do Tocantins.

A pasta esclarece que para coibir o ingresso e a circulação de itens proibidos no sistema penitenciário, a Polícia Penal realiza rotinas contínuas de segurança, incluindo revistas estruturais minuciosas, periódicas e aleatórias em todas as celas e alas, além de rigoroso controle de acesso de visitantes.

A Secretaria reitera seu compromisso com a legalidade e a transparência, mantendo cooperação permanente com os demais órgãos de segurança e de inteligência no combate qualificado a organizações criminosas.

 

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